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Não deixe de procurar saídas. Sempre existe uma possibilidade de melhorar

7 de novembro de 2016

Márcia Garcia Rogério é Terapeuta Ocupacional. No Azevedo Lima ela atua no apoio à recuperação de pacientes em todas as unidades de atendimento de adultos. Recentemente, foi entrevistada para a revista do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – Crefito. Virou notícia porque decidiu tornar conhecidas as histórias de pacientes que já atendeu em outros hospitais onde trabalhou. É que, em outubro do ano passado, Márcia Garcia Lançou o livro “Tecendo vida em vidas: Olhares da Terapia Ocupacional em hospital” (editora CRV).
 
O livro, sobre técnicas de Terapia Ocupacional, aborda a importância de humanizar o atendimento de pacientes com sequelas desde sua hospitalização até a alta. “É importante dar afeto e escutar o paciente durante todo o seu atendimento, pois é a partir daí que a gente começa a trabalhar o desejo, a meta do paciente para seu retorno às atividades do cotidiano”, garante Márcia.
 
“Tecendo vida em vidas” foi escrito com base em cerca de 15 histórias verídicas sobre o processo de tratamento de pacientes entre 18 e 80 anos, em um período de dois anos, ambientadas em hospitais onde ela já atuou. “Nunca devemos deixar de investir em ninguém, tenha ele o prognóstico que tiver. Qualquer melhora já é uma grande historia!” Acreditando nisso, Márcia conheceu um rapaz de 18 anos que, vítima de violência, sofreu uma lesão medular cervical devido a uma perfuração por arma de fogo. Ele só não perdeu o movimento da cabeça. E nem o sonho de voltar a jogar futebol e de participar dos bailes funk da comunidade. Os dois se conheceram quando ele foi reinternado devido ao estado físico, já que não dispunha do atendimento adequado para a sua condição na casa onde morava com a família. Durante seis meses de tratamento, voltou a jogar futebol de forma adaptada. Para trabalhar a necessidade imediata de melhorar a parte respiratória do paciente, Márcia criou um jogo de futebol que usava o sopro para fazer a bola se movimentar. Com o apoio da família e da equipe de enfermagem, foram muitos gols. Quando pôde voltar para casa, com a cadeira de rodas e a cama adequadas, já conseguia aceitar melhor as mudanças sofridas no seu corpo. Voltou pronto com o que precisava para ir de novo ao baile funk.” Era um desejo independente do não poder”.
 
Dona G., de 80 anos, sofreu um AVC que paralisou um lado inteiro do corpo e lhe tirou a capacidade de falar. Ela fazia parte da velha guarda de uma escola de samba, onde desfilava na ala das baianas. Seu desejo? Voltar a desfilar, é claro! O trabalho para trazer de volta o equilíbrio, a coordenação motora e o restabelecimento da comunicação foi todo desenvolvido ao som dos sambas da escola dela, que a Márcia baixou no celular e botava para tocar alto. Dona G. dançou na cadeira por quatro meses. Depois dançou em pé e foi embora dançando, acompanhando o ritmo.
 
“A gente nunca deve se acostumar quando tem a opção de mudar. Nunca deve perder a indignação e nem deixar de procurar saídas. Sempre há uma possibilidade de melhorar. O paciente tá aqui para isso”, finaliza Márcia enquanto vai juntando novas histórias, que dessa vez serão contadas dentro do Azevedo Lima. 

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