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Uma peregrinação diária contra o estado de delirium

11 de março de 2020

Cerca de um em cada cinco pacientes internados em hospitais por longos períodos pode desenvolver o estado de delirium. Segundo a responsável técnica pela Terapia Ocupacional do Azevedo Lima, Adriana Fiuza, trata-se de um estado de confusão que altera a consciência, reduz a função cognitiva e a atenção. “O delirium pode ser desencadeado ainda por alguns fatores de risco anteriores à internação como demência precoce, uso de álcool e outras drogas e, sobretudo, idade avançada”, afirma.
A coordenadora da Reabilitação, Adriana Morais, avalia que o delirium pode ainda prolongar o tempo de internação e levar à incapacidade funcional a partir do momento em que o paciente não coopera com sua recuperação, comprometendo o retorno à sua rotina de forma independente. 
Para monitorar se um paciente está entrando em estado de delirium, os profissionais da Terapia Ocupacional do Azevedo Lima percorrem diariamente os leitos do CTI para verificar os sinais de consciência por meio de avaliações específicas. As avaliações são feitas com a utilização do protocolo CAM-ICU, que traduzido para o português significa Método de avaliação de confusão para unidade de terapia intensiva. O instrumento consiste, basicamente, na observação do paciente e na aplicação de perguntas que devem ser respondidas por gestos ou palavras. “Se o paciente errar um determinado número de perguntas evidentes, como elefante poder voar ou pedra poder flutuar, ele pode estar em delirium e nós precisamos atuar para tentar reverter o quadro e evitar que este paciente tenha o tratamento ou o retorno às atividades da vida cotidiana prejudicados”, explica Adriana Fiuza.
A prevenção ou reversão do estado de delirium consiste na estimulação cognitiva do paciente e no incentivo à sua mobilização, entre outras medidas de reorientação, inclusive com a participação da família. Em situações especiais que possam estar afetando a orientação do paciente, como prejuízos ao sono por exemplo, pode haver também a possibilidade da introdução de medicamentos, sempre com a prescrição feita pelo médico. “Cabe ao profissional avaliar a medida a ser utilizada e personalizá-la de acordo com as características e o quadro clínico de cada paciente”, avalia Adriana Morais.
Segundo Adriana Fiuza, nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, 34% e 26%, respectivamente, dos pacientes internados no Azevedo Lima foram monitorados. 
11 de março: Dia Mundial da Conscientização contra o Delirium
Para que o profissional de saúde esteja atento aos impactos do estado de delirium na recuperação do paciente, três associações internacionais da Europa, Austrália e Estados Unidos relacionadas ao tema criaram o Dia Mundial da Consciência do Delirium que em 2020 será comemorado pelo quarto ano consecutivo durante o mês de março. Portanto, neste dia, a equipe da Terapia Ocupacional desenvolveu um trabalho de conscientização itinerante pelos postos de enfermagem do CTI, Sala Amarela e UIH, alertando os profissionais sobre o que é o delirium e como pode ser identificado, prevenido e revertido.
Equipe monitora o nível de consciência dos pacientes internados no CTI
Terapeutas ocupacionais em aula itinerante para as equipes assistenciais do CTI
Equipes do CTI são capacitadas para identificar o estado de delirium nos pacientes

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