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Notícia - Desospitalização: hospitais geridos pelo ISG preparam pacientes para retomar a vida cotidiana

2 de outubro de 2026

Estratégia de reabilitação começa desde a admissão e utiliza simulações de situações encontradas nas ruas para recuperar mobilidade e autonomia

Aos 3 anos, Enzo Kayque chegou ao Hospital Regional Circuito da Fé e Vale Histórico, em Cruzeiro, após duas semanas de tosse e piora do quadro respiratório que não respondeu ao tratamento realizado em casa. Com diagnóstico de asma e broncopneumonia, precisou ser internado. Depois de controlar a crise, a equipe iniciou um trabalho para que o menino retomasse as atividades habituais. Ao longo da internação, permaneceu em ar ambiente, manteve-se ativo e participou de avaliações funcionais. Recebeu alta uma semana depois.

A recuperação de Enzo foi trabalhada de forma lúdica, aproveitando atividades próprias da infância como parte do processo terapêutico. O caso exemplifica uma estratégia adotada pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG) nas unidades sob sua gestão: a desospitalização começa desde a admissão e envolve uma linha de cuidado voltada para que o paciente retome, no menor tempo possível e com segurança, as atividades da vida cotidiana.

Segundo o assessor de desospitalização do ISG, Antonio Duarte, o planejamento de alta do paciente nas unidades geridas considera a realidade social de cada pessoa, com objetivos terapêuticos relacionados à vida que ela terá fora do hospital.  A proposta parte de uma constatação: caminhar na cidade exige muito mais do que capacidade física. No cotidiano, uma pessoa precisa desviar de obstáculos, mudar de direção, alterar a velocidade, parar diante de uma situação inesperada e tomar decisões enquanto se movimenta. Essas ações envolvem habilidades motoras e cognitivas, incluindo atenção, equilíbrio e funções executivas.

No caso de crianças, como o Enzo, as atividades podem incorporar elementos lúdicos. O objetivo é trabalhar as mesmas competências de uma forma adequada à idade e ao universo da criança. Assim, o brincar também passa a fazer parte do processo de preparação para o retorno à rotina.

A estratégia busca reduzir, sempre que possível, os efeitos da imobilidade, da sedação e da permanência prolongada no leito. Quando o quadro clínico permite, a equipe trabalha para colocar o paciente em movimento o mais cedo possível, utilizando recursos de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. “A internação prolongada pode comprometer habilidades motoras e cognitivas. Por isso, quanto antes o paciente retoma estímulos e atividades compatíveis com sua condição clínica, maior é a possibilidade de recuperar competências que serão necessárias no cotidiano”, explica Duarte.

Segundo dados do Instituto, cerca de 80% dos pacientes acompanhados pela fisioterapia nas unidades geridas deixam o hospital caminhando. Desses, 60% recebem treinamento para desenvolver competências que permitam, entre outras atividades, utilizar o transporte público e retornar ao trabalho.

Para o ISG, esse olhar faz parte de uma concepção de cuidado que ultrapassa o tratamento da doença. “O cuidado não deve ser centrado apenas no paciente, mas também na família e na sociedade. Recuperar a capacidade de participação social contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde e da previdência, ao reduzir a dependência e favorecer o retorno das pessoas às suas atividades”, resume Duarte.

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